Instituto Cocamar

Saiba quem foi Constâncio Pereira Dias, o líder cooperativista que dá nome ao Instituto Cocamar e à avenida que liga a rodovia PR-317 ao parque industrial da cooperativa em Maringá 

 

Nascido em Guaranésia (MG), o advogado Constâncio Pereira Dias foi diretor-gerente e presidente da Cocamar. A primeira função ele ocupou entre 1965 e 1971, atuando como um executivo, e a segunda de 1971 a 1986.  

 

Com a saída do presidente José Cassiano Gomes dos Reis Júnior, em 1971, convidado pelo ministro da Agricultura Luis Fernando Cirne Lima para assumir a presidência da Cibrazem, Constâncio ascendeu ao cargo de presidente da cooperativa, exercendo-o até 1986, quando renunciou por motivo de saúde, sendo substituído pelo diretor Oswaldo de Moraes Corrêa. 

 

Ao deixar a Cocamar, retornou para Guaranésia, onde reestruturou uma empresa de sua família, a Fábrica de Tecidos Santa Margarida S/A. Casado com dona Mara, teve um casal de filhos. 

 

Constâncio morreu aos 65 anos, em 1999, em um acidente automobilístico ocorrido em Minas Gerais.  

 

Fatos marcantes do período 1965-1971

- Indicados pela agência do Banco do Brasil, Constâncio e o engenheiro agrônomo José Cassiano Gomes dos Reis Júnior assumem a gestão da Cooperativa de Cafeicultores de Maringá Ltda. A entidade enfrentava dificuldades e corria o risco de fechar as portas. Seus nomes foram aprovados pelos cooperados em assembleia geral, com Cassiano presidente e Constâncio diretor-gerente.  

 

- Em vez de liquidar a cooperativa, os dois dirigentes decidiram apostar na sua continuidade. De forma arrojada, eles conseguiram um financiamento junto ao Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) para adquirir uma máquina usada de beneficiamento de algodão e, com ela, diversificar os negócios da cooperativa, deixando de depender exclusivamente do café. A máquina entrou em operação em 1967, obtendo resultados que superaram as expectativas. 

 

- Em 1971 é inaugurada a segunda máquina de beneficiamento de algodão. Dessa forma, recebendo grandes volumes de algodão, a cooperativa conseguiu sanear suas finanças e crescer. 

 

- No final da década de 1960, quando assumiu o ministério da Agricultura, o gaúcho Luis Fernando Cirne Lima, no cargo de 1969 a 1973, orientou os dirigentes da Cocamar a prestarem atenção nas oportunidades que estavam sendo oferecidas pelas culturas temporárias de grãos (soja e trigo), praticadas no Rio Grande do Sul e que não tardariam a chegar ao Paraná. 

 

- Como fruto de uma viagem de Cassiano e Constâncio ao Rio Grande do Sul para conhecer as lavouras mecanizadas de grãos e as estruturas de armazenamento, é construído em Maringá o primeiro armazém graneleiro com fundo em V do estado, e capacidade para 30 mil toneladas, que ficou pronto em 1971. O ministro Cirne Lima participou de sua inauguração. 

 

 

Fatos marcantes do período 1971-1985

- Constâncio assume o comando da Cocamar em momento de grande efervescência na cooperativa. Com a construção do primeiro graneleiro, os produtores se sentem encorajados a substituir o café, cultura perene, pelas lavouras de grãos (soja no verão e trigo no inverno). 

 

- Já em 1972 é inaugurada a nova sede da cooperativa, um moderno imóvel em dois pavimentos na Av. Prudente de Moraes, centro da cidade. 

 

- A expansão das culturas de soja e trigo é tão grande que a Cocamar decide construir mais quatro armazéns graneleiros, em Floresta, Doutor Camargo, São Jorge do Ivaí e Jussara. A primeira cidade fora de Maringá a contar com uma unidade foi Paiçandu, onde a cooperativa arrendou uma estrutura de armazenamento do Instituto Brasileiro do Café (IBC). 

 

- Em 1974, o ministro da Agricultura Alysson Paolinelli visita a Cocamar e incentiva seus dirigentes a investirem na industrialização da soja. Em forte crescimento, a cooperativa começa a trabalhar nesse objetivo. 

 

- Constâncio estrutura a Cocamar com departamentos os mais diversos para não depender de terceiros. Adquire uma frota própria de caminhões, uma fazenda para a realização de experimentos técnicos e, entre outras iniciativas, instala um departamento de assistência médica e odontológica para atendimento a cooperados, funcionários e familiares, área de engenharia civil para gerir as próprias construções, e um setor gráfico. 

 

- No ano de 1979 a Cocamar é a primeira cooperativa do Brasil a colocar em operação uma indústria de óleo e farelo de soja. Já no ano seguinte o óleo chega aos pontos de consumo de forma experimental e a cooperativa não demora a investir no refino e envasamento do produto e também em uma torrefadora de café.  

 

- Ainda em 1979 é absorvida a Coopérola, uma cooperativa com unidades em Iporã, Altônia, São Jorge do Patrocínio e Pérola, no extremo noroeste do Paraná. 

 

- De 1981 a 1985, a Cocamar investe na expansão de unidades de atendimento. Além de Maringá, Paiçandu, Floresta, Doutor Camargo, São Jorge do Ivaí e Jussara, chegava a Paranacity, Nova Esperança, Paranavaí, Cianorte, Floraí e Ivatuba, com o objetivo de receber soja, trigo, café e algodão e comercializar insumos.  

 

- No mesmo período, o parque industrial é ampliado com uma unidade de extração de óleo de caroço de algodão, uma fiação de seda e uma fiação de algodão, entre outras estruturas de apoio. 

 

- Em 1981, ao instalar a primeira fiação de algodão do Paraná, a cooperativa rompe a proibição que vedava ao estado, principal produtor da fibra do país naquela época, industrializar o produto, que era levado para esse fim a indústrias em outros estados, no que era conhecido como "o passeio do algodão".  

 

- Ao ingressar em todas as cadeias de produção de seda, a Cocamar é a primeira cooperativa de produtores em todo o mundo a operar nesse segmento. Seu objetivo era atender um grande número de pequenos produtores de casulos da região noroeste do Paraná. 

 

- a Cocamar é a primeira indústria brasileira, em 1983, a implantar o envasamento de óleos vegetais em garrafas plásticas (PVC biorientado), substituindo as de lata (flandres), depois de importar equipamentos de tecnólogia francesa. 

 

- As Assembleias Gerais Ordinárias de prestação de contas da Cocamar lotam o ginásio de esportes Chico Neto em Maringá, ocasião em que a cooperativa faz a distribuição de sobras aos cooperados. 

 

 

O estilo Constâncio 

- Adepto da diversificação dos negócios, "para não correr o risco de deixar todos os ovos na mesma cesta", Constâncio se mostrou um visionário e fez da cooperativa um enorme canteiro de obras, com diversas realizações ao mesmo tempo.

 

- Seus discursos eram contundentes, momentos em que expunha seus pontos de vista sem medir palavras e sem o receio de ferir suscetibilidades. 

 

- Certa vez, com o intuito de sensibilizar os cooperados e evitar que alguns deles continuassem inserindo objetos nas cargas para dar mais peso ao algodão, ele mandou fazer uma exposição na entrada da cooperativa com todo tipo de coisas encontradas nas entregas, como paus e pedras. 

 

- Era um homem hábil e de bom relacionamento com autoridades e setores dos governos federal, estadual e municipal. Respeitado como uma das principais lideranças do cooperativismo brasileiro, tinha trânsito entre governadores, senadores e ministros. 

 

 

O legado 

- O principal legado de Constâncio é ter feito da Cocamar uma das maiores e mais prestigiadas cooperativas agropecuárias do país. Ele ingressou como executivo quando a entidade parecia condenada à liquidação e, duas décadas depois, ao deixá-la, a organização era reconhecida e respeitada como uma potência, detendo o maior parque industrial do cooperativismo brasileiro e sendo uma referência nesse cenário. 

 

A homenagem  

A Cocamar perpetuou a memória do seu ex-presidente com um merecido reconhecimento ao fundar, em 2002, o Instituto Constâncio Pereira Dias de Responsabilidade Socioambiental, o qual desenvolve dezenas de projetos e ações de grande alcance em todas as regiões de atuação da cooperativa, cumprindo assim o princípio 7º do Cooperativismo, voltado à preocupação com a comunidade. 

 

Dois anos antes, em 2000, o município de Maringá havia prestado sua homenagem ao líder cooperativista, dando seu nome à ampla avenida recém construída que liga o entroncamento da rodovia PR-317 ao parque industrial da cooperativa.

 
 
 


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