29/06/2020

Tradição predomina em Nova Fátima e Congoinhas

A colheita de café vai chegando ao final em Congoinhas, município da região de Londrina, onde a tradicional cultura, mantida por inúmeras famílias, segue firme.

 

“O café vai passando de pai para filho”, afirma o supervisor da unidade da Cocamar na vizinha Nova Fátima, Sanderson Plácido Boscardim. Em sua maioria, são pequenas propriedades, muitas delas de relevo acidentado, onde a média de produtividade é de 24 sacas beneficiadas por hectare. Com o detalhe de que a altitude desses municípios, acima de 800 metros, favorece a qualidade do produto.

 

Na propriedade de Adelson Messias, que possui 12 hectares com a lavoura e está plantando mais dois, 80% do produto é classificado como bebida boa e sua média gira em torno de 35 sacas beneficiadas por hectare.

 

MODERNIZAR-SE - Adelson conta que vem buscando modernizar-se para ser mais competitivo. Ele está adequando uma parte da lavoura para receber a mecanização, instalou um secador que agiliza a secagem dos grãos vindos da roça em aproximadamente 50 horas (contra uma semana, pelo menos, do terreiro convencional) e, há alguns anos, adotou a técnica do esqueletamento - uma poda drástica - como forma de rejuvenescer as plantas, manter o seu vigor e, com adubação e tratos fitossanitários adequados, garantir uma boa produtividade todos os anos.

 

O produtor mostrou, como exemplo, uma lavoura que produziu bem em 2019 e foi esqueletada após a colheita, não produziu nada em 2020 mas apresenta potencial para 50 sacas beneficiadas ou até mais, por hectare, em 2021.  

 

PRESTA SERVIÇOS - “Aqui é uma correria durante a safra”, diz Adelson, que além de produzir o seu café, presta serviços para os vizinhos, fazendo transporte com um caminhão e até com um veículo Gol sem os bancos traseiros, além de disponibilizar o secador. “O café é um negócio que se for bem conduzido, vale a pena, mas o cafeicultor não pode se perder nos custos, que são altos.” Segundo ele, para o pequeno produtor é a cultura que, devido a sua liquidez, viabiliza a pequena área”, acrescentando ainda ser indispensável buscar sempre o incremento da produtividade.

 

Adelson tem recorrido aos contratos de venda antecipada, oferecidos pela Cocamar, para ter mais segurança. “Neste ano, 70% da minha produção foi contratada e fiz uma média boa.” Sem essa opção, segundo ele, o produtor fica sujeito a muitos riscos, pois na colheita, com a concentração da oferta, o preço tende a se retrair.

 

GERAÇÕES - Ali perto, no sítio da família Lucas, a cafeicultura é um negócio e também uma paixão que atravessa gerações e, ao que tudo indica, isto deve continuar. O proprietário Antônio Miguel cultiva 13 hectares com a lavoura e soube transmitir o gosto pela atividade aos dois filhos, Mateus (formado em direito, mas que preferiu permanecer trabalhando na propriedade da família) e Antonio Filho, que já vem ambientando o filho dele, Antonio Neto, de dois anos, à vida em meio ao cafezal.  

 

Segundo Antonio, o café é importante para a sustentação das propriedades e só lamenta que nos últimos anos a cotação tenha permanecido em níveis pouco remuneradores, como reflexo do mercado internacional abastecido e também da perspectiva de colheita de mais uma grande safra brasileira.

 

Por causa do mercado pouco animador, ele revela ter reduzido o investimento na cultura, para não acumular dívidas. “Conquistei uma vida estável, sossegada e não pretendo correr riscos”, explica. Sua média de produtividade, considerando um ano pelo outro, é de 200 sacas beneficiadas.

 

Aos 60 anos, professor aposentado e que permanece na ativa, já com quase 40 dedicados ao ensino em escola rural do município, Antônio e a esposa Maria vivem do salário do magistério, poupando o que sobra do café para realizar um investimento, como a aquisição do secador, feita há algum tempo. “Se fosse depender exclusivamente do café para sobreviver, ficaria apertado”, garante, lembrando que parte da renda com o mesmo acaba retornando aos cafezais, para a renovação da lavoura.  

 

De acordo com o gerente técnico da Cocamar, Robson Ferreira, que visitou a região, Congoinhas e Nova Fátima apresentam características geográficas que possibilitam a adaptação da cultura do café, mantida ainda em larga escala. “É um modelo tradicional de condução da lavoura, em que os cafeicultores conseguem boa qualidade, sendo, portanto, uma atividade interessante para eles.”

 

Fotos realizadas antes da pandemia do Covid-19. 



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