15/01/2020

Produtores crescem sem medo dos desafios

Nascidos e criados em pequenas propriedades nos municípios de Ourizona e Atalaia, no noroeste paranaense, onde antigamente suas famílias lidavam com café e cultivos de subsistência, os produtores José Rogério Volpato, 41 anos, e Paulo Vinícius Tamborlin, 35, têm trilhado na vida caminhos semelhantes.

Hoje prósperos produtores de grãos, eles são donos de terras, cultivam também em propriedades arrendadas e são receptivos a propostas de parcerias. Na segunda-feira (13/1), o Rally Cocamar de Produtividade foi conhecer um pouco da rotina desses agricultores, ambos cooperativistas, adeptos a novas tecnologias e obstinados por crescer.

SOLOS DIFERENTES - Volpato, que reside na vizinha São Jorge do Ivaí e tem graduação em contabilidade, administração de empresas e um MBA em agroecologia, enfrenta a cada safra o desafio de lidar com diferentes tipos de solos, mas é na complexidade de trabalhar no areião típico da região que ele e Tamborlin se sobressaem. Historicamente, suas médias de produtividade de soja estão num patamar bem superior ao da realidade regional, o que resulta da preocupação deles em incorporar conhecimentos, tecnologias e práticas modernas para explorar todo o potencial produtivo das lavouras.

Segundo Volpato, “um produtor de cultiva na areia precisa ter a consciência de que, para produzir bem, não pode vacilar e nem improvisar”. As práticas conservacionistas são tão importantes, dada a fragilidade do solo, quanto saber escolher as variedades, os produtos adequados e os tratos culturais que devem ser realizados na hora certa, somando à recomendação técnica especializada a própria experiência acumulada ao longo de anos.  Com estrutura de maquinários, ele produz em 18 propriedades localizadas na sua região, que totalizam 300 alqueires (726 hectares). Em uma delas, em Presidente Castelo Branco, na safra 2017/18, surpreendeu ao colher 200 sacas de média por alqueire (82,6 por hectare). A surpresa se justifica: pelo reduzido teor de argila, dizia-se esse tipo de solo seria imprestável para o cultivo de grãos.

CAUTELA - Na atual temporada, em que as chuvas vêm ocorrendo com certa regularidade, tanto Volpato quanto Tamborlin são cautelosos em arriscar uma média. Segundo eles, ainda vai levar uns 30 dias, com clima favorável, para consolidar uma safra cheia. Mas, se continuar do jeito que está, é possível que as altas médias se repitam.

RAPIDEZ - Engenheiro agrônomo com pós-graduação em agronegócio, Tamborlin cultiva 16 propriedades entre terras próprias, arrendadas e fruto de parcerias, que somam 215 alqueires (520,3 hectares). A exemplo do colega, ele não descuida de participar de dias de campo, palestras técnicas e eventos relacionados à difusão de tecnologias. “É preciso estar atento a tudo”, assevera, lembrando que a tecnologia avança rapidamente.

INVESTIR - Sem medo de encarar desafios, ele assumiu neste ano o arrendamento de uma área antes cultivada com cana-de-açúcar. “Fiz um planejamento para cinco anos e considerando a necessidade de investir na reestruturação desse solo, avalio que no primeiro vou ficar no vermelho ou, com a ajuda de São Pedro, pelo menos empatar.” Segundo o agrônomo Evandro Borghi, da Cocamar/Atalaia, há uns dez anos, pela dificuldade de lidar com um solo que veio da cana, seria impensável pensar em um arrendamento assim.   

 

Tanto Tamborlin quanto Volpato trabalham com a mentalidade de que, em terras arrendadas, precisam investir no solo, mediante análise criteriosa, pois o custo de produção é bem mais alto que plantar em terras próprias e, por isso, dependem de colher muito para que o resultado valha a pena. Os contratos que firmam com os proprietários são praticados em duas modalidades: uma quantidade fixa em sacas por alqueire ou um percentual sobre a colheita. “No percentual, os riscos são divididos entre as duas partes e quase sempre o proprietário fica mais satisfeito”, diz Tamborlin.   

O desejo de ambos não é outro senão continuar absorvendo novas áreas para manter o crescimento. A fragmentação impõe o desafio da logística, pois não é tão simples fica fazendo o deslocamento de maquinários de uma propriedade para outra. Mas, pelo jeito, tem valido a pena.

PARTICIPATIVOS - Cooperativistas de longa data, Volpato e Tamborlin são 100% Cocamar e Sicredi e, participativos, ambos ocupam cargos em conselhos da cooperativa de produção. O primeiro é um dos 15 integrantes do conselho de administração, enquanto o segundo coordena o conselho fiscal.

Sobre o Rally

Com a finalidade de valorizar as boas práticas, o Rally Cocamar de Produtividade conta com os seguintes patrocinadores: Basf, Spraytec, Sicredi Cocamar União PR/SP, Zacarias Chevrolet (principais), Sancor Seguros, Texaco, Cocamar TRR, Elanco e Altofós Suplemento Mineral Cocamar. Nesta viagem, em lugar da caminhonete S-10, a equipe viajou a bordo de uma Trail Blazer.

Acompanharam o Rally o gerente da unidade da Cocamar em Ourizona, Ademir Gontieri; o engenheiro agrônomo José Eduardo Marcon, da cooperativa, que presta atendimento técnico personalizado a José Rogério Volpato; e o engenheiro agrônomo Evandro Borghi, da unidade de Atalaia, que atende Paulo Vinícius Tamborlin.  

 

 



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