11/09/2020

Nabo forrageiro e braquiária protegem o café

As baixas temperaturas são uma preocupação quando chega a época de plantar novos cafezais. Uma geada ou mesmo um vento frio pode queimar as mudas. Para complicar, a adoção de técnicas como o enterrio temporário das mesmas, além de requerer intensa mão de obra tanto para enterrar quanto para desenterrar, quase sempre acaba danificando muitas delas.     

 

Pouco difundida - Uma maneira econômica e eficaz de proteger o cafezinho no inverno é o seu consorciamento com capim braquiária ruziziensis  e nabo forrageiro. A prática, embora não seja novidade, ainda é pouco difundida entre os produtores da região da Cocamar.

 

Sítio Bononi - Neste ano, com a orientação do engenheiro agrônomo Marcos Zorzenon Altéia, da unidade da cooperativa em Cambé, uma lavoura foi implantada dessa forma – e com bons resultados - no Sítio Bononi, município de Rolândia. A propriedade, pertencente ao casal Mauri Aparecido Raphaele e Carminha, de Londrina, é administrada por Reginaldo Inácio Evangelista.

 

Mecanização - Em sete hectares, o projeto incluiu um sistema de irrigação por gotejamento e as mudas foram plantadas observando o espaçamento de 0,70m entre elas, com 3,0m de ruas, distância que possibilita a operação com máquinas.  

 

Rotação - O agrônomo Marcos explica que em outubro de 2018 foi removido dali um cafezal mundo novo antigo, com mais de 40 anos e já improdutivo. Na sequência, para fazer rotação e baixar a incidência de nematoide, cultivou-se uma safra de soja. Colhida a lavoura, em março de 2019,bo espaço deu lugar ao capim braquiária.

  

Atrasou - A ideia era plantar o café ainda em maio ou setembro do ano passado, o que não foi possível devido ao atraso na instalação da estrutura de irrigação.

 

Leste/oeste - O plantio, utilizando a moderna cultivar IPR-100 – muito tolerante ao nematoide Meloidogyne

incognita - , só veio a acontecer em janeiro deste ano. “O plantio ocorreu no sentido leste/oeste em um ângulo de 285 graus aproximadamente em relação ao norte”, detalha Marcos. Com isso, segundo ele, o sol projetado sobre o cafeeiro fica melhor distribuído, minimizando a escaldadura, bem como o ataque de pragas e doenças, além e uniformizar a maturação dos frutos. “O plantio neste sentido pode ter um ganho de até 10% na produtividade, mas é importante salientar que nem sempre isso é possível uma vez que toda a implantação de uma cultura, em especial as perenes, tem que obedecer as normas técnicas conservacionistas.”

 

Uma parede – O plantio foi realizado utilizando uma grade modificada com um sulcador e um suporte para as caixas de mudas, o que otimizou o plantio. Pouco tempo depois, no mês de maio, houve o plantio de nabo forrageiro em fileiras distantes 40cm das mudas do café, na média de 30 sementes por metro linear (2,5kg/hectare) a 2cm de profundidade. Com um trator se faz o plantio de 1,5 hectare por dia. “A lógica é formar uma parede para proteger o café”, explica o agrônomo, explicando que o nabo se desenvolve rapidamente e, em algumas semanas, vai cobrir os cafezinhos e protegê-los de uma geada. “A eficiência é de pelo menos 90%”, assegura, tomando como base outra propriedade do mesmo casal na geada de 2013, quando da implantação de uma área de café.

 

Segurando os ventos - Em dupla, a braquiária e o nabo forrageiro protegem o solo contra erosão, reciclam nutrientes, evitam o surgimento de plantas de difícil controle como o amargoso, trapoeraba etc, e têm outra função importante: a formação de uma barreira contra ventos fortes que irá minimizar o aparecimento de doenças como a Pseudomonas, muito frequente em plantas jovens.

 

Benefícios – O nabo forrageiro apresenta uma série de outros benefícios ao solo e ao ambiente, de acordo com o agrônomo:

- o sistema radicular pivotante ajuda a descompactar o solo e por suas raízes secundárias serem pouco volumosas, não concorre com o do café que irá permanecer confortavelmente no dossel do nabo por um período de 3 meses;

- promove a reciclagem de fósforo e potássio;

- agrega matéria orgânica e aumenta a atividade biológica, com a intensa presença de abelhas na fase de floração;

- inibe o desenvolvimento de ervas indesejáveis junto às plantas de café, trazendo economia com mão de obra. “Antes de se fazer o plantio de nabo as mudas precisam estar equilibradas nutricionalmente, em especial quanto ao cálcio e ao boro, como também em relação as doenças e pragas, principalmente as cochonilhas que irão encontrar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento”, orienta Marcos.

 

Repetir - O agrônomo comenta ainda que o nabo forrageiro chega a um metro e meio de altura e seu plantio pode ser repetido no segundo ano, quando os pés de café já têm, em média, 50cm. Sua retirada ocorre manualmente com o auxílio de um bastão. Conforme ele, as mudas de café são bastante resistentes ao herbicida clorimurom-etílico. “Mesmo aplicando o produto diretamente sobre as mudas, não houve fito significativa e, com isso, quando aplicado mais ou menos 20 a 25 dias antes da retirada do nabo, o herbicida funciona como um aclimatador das mudas. Ao perder as folhas, vai deixando lentamente a luz do sol entrar. Isso ocorre quase sempre no final de agosto, quando o período mais crítico do frio já ficou para trás.”  

 

Baixo custo - Marcos explica que, em resumo, essa técnica apresenta baixo custo, evita a perda de mudas, protege contra doenças e facilita o planejamento da atividade. “Apenas um trabalhador é capaz de dar conta do serviço.”  

 

Umidade - O administrador Reginaldo conta que, com a irrigação, um eventual período sem chuvas não é problema para o cafezinho. Diariamente, das 21h às 6h, o sistema de gotejamento mantém a umidade do solo.



Maringá - PR 26/09/2020 Min. 21 ºC Max. 36 ºC
Predomínio de sol
Maringá - PR 27/09/2020 Min. 23 ºC Max. 36 ºC
Predomínio de sol