07/10/2019

Boas práticas asseguram estabilidade da produçã

Está ao alcance do produtor, por meio da adoção de tecnologias e práticas sustentáveis, minimizar os efeitos das oscilações do clima que tanto têm afetado a produtividade da soja.

 

No município de Cianorte, a 85km de Maringá, o produtor Luiz Henrique Pedroni investe há cinco anos no cultivo de capim braquiária, durante o período de outono/inverno, como estratégia para a reestruturação física e biológica do solo e também para a sua descompactação. E, pelo segundo ano, recebe assistência técnica especializada da Cocamar, a cargo do engenheiro agrônomo José Luiz Sossai, que o orienta no que chama de “construção do perfil do solo”. O Rally Cocamar de Produtividade foi ver isto de perto na terça-feira (1/10).

 

MELHORIAS E BENEFÍCIOS - Segundo Sossai e Pedroni, análises periódicas do solo apontam, entre outras melhorias, para um aumento do percentual de matéria orgânica e o equilíbrio nutricional que se reflete no pH. Ao mesmo tempo, com seu enraizamento, a braquiária age na descompactação, possibilitando que as raízes da soja se aprofundem mais, além de trazer uma série de outros benefícios, como a ciclagem de nutrientes de camadas mais profundas. E, na superfície, a palha inibe o surgimento de ervas, gerando economia com herbicidas. “Se há uma estiagem, as raízes vão mais fundo, pelo menos 50cm, em busca de umidade, o que vai fazer toda a diferença”, comenta Pedroni, que tem a companhia do filho Luiz Gustavo, engenheiro agrônomo formado em 2017.

 

ESTABILIDADE - O produtor lembra que os solos de Cianorte apresentam uma grande variação de manchas e, em sua propriedade, isto também é visível, sendo que o teor de argila chega, em alguns pontos, a 20%. Na safra 2017/18, ele alcançou médias ao redor de 180 sacas por alqueire (74,3/hectare). “Estamos investindo para ter mais estabilidade da produção”, afirma, salientando que na sua região a maior parte das lavouras de soja é semeada sobre palha de milho, que se decompõe rapidamente com o calor, deixando a superfície descoberta. Outro problema comum na região é a presença de alumínio no solo, o que dificulta o enraizamento. Em uma situação dessas, se não chover em sete ou dez dias, a lavoura já começa a ser afetada pelo déficit hídrico.

 

BRAQUIÁRIA - Na propriedade de Pedroni, a braquiária foi semeada em janeiro (após calagem) e roçada no mês de abril, quando sementeou. No dia 1º/10, data em que o Rally passou pelo local, já fazia 90 dias que o capim havia sido dessecado. A soja foi semeada no dia 24 de setembro (depois de aplicação de gesso no solo) e as plantas apresentavam bom padrão de germinação, inclusive com o solo ainda úmido, após vários dias sem chuva e sob altas temperaturas. “Não tem outro jeito de melhorar o solo se não for com braquiária”, resume o produtor, enfatizando: “estamos buscando a melhor maneira de produzir soja e acho que estamos no caminho certo”.

 

MILHO - Pedroni se diz produtor de soja e não de grãos, fazendo uma referência ao milho, cultura que, segundo ele, nem sempre compensa economicamente e que ainda pode prejudicar o potencial da soja quando se antecipa muito o seu plantio para encaixar as duas safras no calendário e livrar o milho dos riscos do inverno.

 

COMPARATIVO - O produtor, seu filho e Sossai aproveitaram a presença do Rally para demonstrar na prática a diferença entre o solo protegido pela braquiária, que ainda apresentava umidade, e o outro, ao lado, onde só havia palha de milho. Enquanto na área de braquiária era possível escavar facilmente com as mãos e perceber que a terra estava fresca e ainda úmida ao ser apertada com a mão, na outra estava dura, difícil de escavar, quente pela incidência dos raios solares e já seca, a ponto de esfarinhar entre os dedos.

 

VALE A PENA - Sossai explica que o produtor interessado em buscar mais estabilidade, como é o caso de Pedroni, tem um desembolso maior, mas isto vale a pena, levando em conta a perspectiva do resultado final. Pedroni diz que tem havido diferença na produtividade de soja, ao longo dos anos em que passou a adotar a braquiária e a construção do perfil do solo. Com o avanço desse trabalho, já foi possível reduzir a quantidade da adubação, de 650 para 450kg por alqueire, seguindo o que foi detectado em análise de solo. “Houve um gasto menor em adubo para investir em outros itens fundamentais, mas nada é feito de forma aleatória e estamos, agora, refinando cada vez mais o manejo”, observa Luiz Augusto, filho do produtor, que herdou a paixão do pai pela agricultura e é o seu sucessor natural na atividade.  

 

O RALLY - Valorizando as boas práticas, o Rally Cocamar de Produtividade é patrocinado por Spraytec, Basf, Sicredi União PR/SP e Zacarias Chevrolet (principais), Sancor Seguros, Texaco Lubrificantes, Cocamar TRR, Elanco e Altofós Suplemento Mineral Cocamar (institucionais), com o apoio do Cesb, Aprasoja/PR e Unicampo.



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