07/02/2018

Boa expectativa de colheita na região de Londrina

Rally Cocamar de Produtividade esteve em São Sebastião da Amoreira, região de extensas áreas, onde a colheita está prestes a começar

 

 

Às vésperas do início da colheita de soja, safra 2017/18, o Rally Cocamar Bayer e Spraytec de Produtividade passou no final da semana passada por São Sebastião da Amoreira, município da região de Londrina.

Com suas extensas áreas destinadas ao cultivo de soja, em grande parte para produção de sementes, São Sebastião sedia uma estruturada unidade de beneficiamento de sementes adquirida no final do ano passado pela Cocamar.

 

A estimativa da unidade local da cooperativa é que as primeiras cargas do grão comecem a ser entregues entre os dias 10 e 15 deste mês, mas os trabalhos devem se intensificar nas semanas seguintes.  Além da Bayer e da Spraytec, a Ford (concessionárias Maringá e Londrina), a Unicampo e a Sancor Seguros, também patrocinam o Rally, que tem o apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).

Em São Sebastião, o Rally visitou o dia de campo que reuniu cerca de 300 produtores e técnicos, também de cidades próximas: Assaí, Santa Cecília do Pavão, Congoinhas e São Jerônimo da Serra.

 

NA FRENTE - O coordenador de culturas anuais da Cocamar, Rafael Furlanetto, que acompanhou o Rally, observou que as lavouras daquela região já estão entrando em fase de maturação, com folhas amareladas. O gerente Welison Mansano, de Assaí, confirma: 15% das lavouras já se encontram em fase de maturação e 60% em enchimento de grãos, período este em que as plantas dependem, ainda, de muita umidade.

 

COLHER MAIS - Engenheiro agrônomo, o produtor Guilherme Martins Gomes Santos, diz estar confiante na colheita de uma boa safra. De uma família de pioneiros em Assaí, ele acredita que a sua lavoura apresenta potencial para produzir mais do que na safra passada, quando a média foi de 148 sacas por alqueire (61 sacas/hectare). Embora tenha enfrentado alguns percalços, como chuvas em excesso e baixa temperatura na fase inicial de desenvolvimento, sua soja recuperou-se e está carregada de vagens. Interessado em ampliar os níveis de produtividade, Santos conta que mantém experimentos com fungicidas na propriedade e costuma investir no aumento da fertilidade do solo. "Para ser bem sucedido, tem que investir no solo", afirma. Desde 2013, ele e o irmão Gustavo, que é médico-veterinário, fazem uma parceria para incrementar um projeto de integração lavoura-pecuária (ILP). Orientados pelo agrônomo William Fernandes, da cooperativa, eles plantam milho em consórcio com capim braquiária, no inverno.

 

REPETIR, QUEM SABE - Cultivando soja desde 1989, quando o algodão deixou de ser plantado na região de Santa Cecília do Pavão, o produtor Milton dos Santos possui 30 alqueires (72,6 hectares) destinados à oleaginosa no verão e trigo no inverno. Santos conta que foi ao dia de campo para ver as novidades em insumos: "a gente precisa acompanhar o que está acontecendo e se atualizar". Na safra de soja do ano passado, o produtor colheu a média de

140 sacas (57,8/hectare), que espera repetir no ciclo atual. Essa marca foi a mesma que ele conseguiu, também, no trigo, mas a ideia é reduzir um pouco a área com o cereal em 2018, abrindo espaço para a aveia branca.

 

CLIMA ATRAPALHOU - À frente de 54 alqueires (130 hectares) em São Sebastião da Amoreira, Johny Nakashima e o pai dele, Mário, conseguiram uma média recorde de soja na colheita do ano passado: 179 sacas por alqueire (73,9/hectare). Desta vez, por causa dos problemas climáticos - dois períodos de seca, chuvas em grande volume e frio, que causaram danos às lavouras - ele diz ter duas áreas em condições distintas: uma com potencial para 130 sacas (53,7/hectare) e outra onde espera um pouco mais: 150 por alqueire (61,9/hectare). Em busca de soluções para problemas como a compactação do solo, Nakashima foi orientado a adotar o consórcio milho e braquiária, que faz desde 2016. Para isso, conta, precisou vencer a resistência do pai. E, em curto espaço de tempo, diz já ver os primeiros resultados: "a lavoura está mais parelha, mais padronizada, a cobertura protege o solo, retém umidade e isso aumenta a janela do plantio".

 

VOLTANDO À MÉDIA - Outro participante do dia de campo, o produtor Luiz Takumi Shigueoka, conta que diversifica os negócios da propriedade com soja e café. A soja começou em 1989, quando ele deixou de ser funcionário da Cocamar em Maringá e resolveu assumir a gestão da propriedade da família. No ano de 2004, decidiu apostar também no café, já mecanizando uma parte da atividade. "Só a colheita continua manual", explica. Mesmo com a mão de obra cara, a cafeicultura ainda oferece um resultado melhor do que a soja.

 

Orientado pelo agrônomo Leandro Kondo, Shigueoka tem um histórico de produzir 130 sacas de soja por alqueire (53,7/hectare), mas no ano passado a média foi bem mais alta: 160 (66,1/hectare). "Agora, acho que voltaremos à média dos anos anteriores", afirma, referindo-se aos efeitos dos problemas climáticos enfrentados nesta safra.



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