29/07/2020

Ampliar o Seguro Rural o desafio do Mapa

 

Chegar a 25 milhões de hectares segurados até 2022: este é o objetivo da ministra da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, conforme foi anunciado por seu diretor de Gestão de Risco, Pedro Loyola, durante a 6ª etapa do Ciclo de Debates Cocamar na quinta-feira (23/7). É quase quatro vezes mais a área existente em 2019.

 

 

 

Com o tema “A importância e o futuro do Seguro Rural no Brasil”, o Ciclo foi coordenado pelo gerente executivo financeiro da cooperativa, Guilherme Valente, com a participação do presidente do Conselho de Administração, Luiz Lourenço.

 

 

 

INADMISSÍVEL - Segundo Loyola, o governo pretende aperfeiçoar o Seguro Rural, garantindo produtos de qualidade aos agricultores. “Tem havido muita frequência de problemas climáticos e é inconcebível que, hoje em dia, ainda existam produtores que não tenham a cultura de segurar suas lavouras”, disse, lembrando que no Rio Grande do Sul, por exemplo, na safra 2019/20 – que foi fortemente afetada pela seca - apenas 50% dos produtores de soja tinham seguro e, em Santa Catarina, 80% dos que se dedicam à produção de banana não se previnem com esse instrumento.

 

 

 

No Paraná, o potencial ainda é grande para a expansão do programa e, na safra 2019/2020, 20 mil produtores contrataram seguro. “O seguro traz estabilidade no negócio e permite uma sobrevida ao agricultor”, ressaltou o diretor do Mapa, mencionando que o instrumento é indutor da produtividade e do desenvolvimento. “Um produtor desprotegido que tenha sido prejudicado pela estiagem pode demorar mais de cinco anos para recuperar-se e toda a economia regional vai sentir”, frisou.

 

 

 

SUSTENTÁVEL - Como manter um programa sustentável de seguro rural no Brasil é o desafio do governo, que vem investindo na capacitação de profissionais ligados ao setor. “A ministra trouxe a visão da gestão de risco, o crédito para ser sustentável também precisa ter garantias”, explicou Loyola. Segundo ele, países com programas mais modernos de seguro, como Espanha e Estados Unidos, estimulam os produtores a segurarem suas lavouras. Oitenta por cento dos produtores espanhóis, que se dedicam basicamente a olerícolas e hortifrutis, acessam o seguro, contando com 40% de subvenção. A mentalidade do governo espanhol é de que “quem não se ajuda, não merece ser ajudado”, enfatizou o diretor do Mapa. Já nos EUA, onde o modelo do seguro foi implantado em 1899 e é robusto, recursos da política agrícola são destinados ao seguro rural. “O Brasil é um player ainda novato nesse mercado, onde o seguro começou a ser implantado em 2003.”

 

 

 

VARIA MUITO - Pedro Loyola explicou as dificuldades para implantar um seguro rural abrangente e que atenda a todas as demandas, pois o Brasil é grande e as variações de clima e tecnologias utilizadas variam muito de uma região para outra. Mas garante que todos os 60 segmentos do agro estarão cobertos por próximos anos. Uma novidade é que produtores enquadrados no Pronaf (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar) já podem segurar custeio e cultivo de soja, com subvenção de 60%, mesmo percentual para os produtores de frutas. Para isso, há R$ 50 milhões disponíveis no período de julho a setembro.

 

  

 

APLICATIVO - O Mapa lançou um aplicativo, o PSR, disponível para acesso gratuito, em que permite ao produtor de uma região verificar todas as seguradoras que operam ali e comparar os preços.

 

  

 

Para Luiz Lourenço, o seguro rural é um instrumento que o agricultor precisa cuidar e preservar, pois os problemas climáticos estão acontecendo com muita frequência. E lembrou que a Cocamar implantou uma corretora para prestar assessoria aos cooperados, na escolha dos melhores produtos. “O seguro é um instrumento para se construir o futuro”, destacou, salientando que o seguro foi essencial, por exemplo, no programa de meiosi implantado na safra 2019/20 em parceria com a usina paulista Cocal, uma iniciativa inovadora e e grande sucesso, que deve passar de 7 mil para 20 mil hectares em 2020/21.

 

 

 

BÔNUS - "Na Cocamar o seguro é tão importante, que já há alguns anos a Cocamar coloca no seu pacote de insumos nas campanhas um bônus para ajudar o produtor a pagar o prêmio de seguro, como se fosse uma subvenção privada. Além disso, temos nossa própria corretora de seguros, que trabalha com várias seguradoras, para dar a melhor assessoria e a melhor opção de produto e preço para a segurança e rentabilidade do nosso cooperado", afirmou Guilherme Valente.

 

 

 

 

 

 

 

Será que é mesmo caro? Compare

 

 

 

Sobre a reclamação de que fazer seguro rural no Brasil é caro, Pedro Loyola, diretor de Gestão de Risco do Mapa, faz uma comparação. 

 

 

 

  • Se um veículo ano 2012 for avaliado em R$ 43.369,00, o seguro custará R$ 2.266,48 à vista (considerando bonificação máxima e prêmio de 5,22%); 
  • Já o seguro de uma lavoura de soja (multirrisco, produtividade 2019) em igual valor, custará R$ 2.320,24 à vista, com prêmio médio de 5,35%. Descontando a subvenção de 25%, de R$ 580,06, o prêmio líquido a ser pago pelo produtor será de R$ 1.740,18 (prêmio de subvenção de 4,01%).

 

 

 

Ainda em relação ao custo do seguro, considerando a taxa média de 2019 aplicada ao valor segurado, a taxa média de prêmio das seguradoras é de 5,35% e a taxa ao produtor com apoio de subvenção cai para 4,01%. “Significa que em 25 anos o produtor rural terá pago pelos serviços de seguro rural o valor de uma safra segurada inteira”, explica Loyola. E ele lança uma pergunta, para finalizar: “em 25 anos de safra de soja no Paraná, quantas vezes houve perdas acima de 30% por adversidades climáticas, e qual foi a soma dessas perdas?”.

 

 

 



Maringá - PR 06/08/2020 Min. 14 ºC Max. 27 ºC
Céu claro
Maringá - PR 07/08/2020 Min. 13 ºC Max. 27 ºC
Céu claro