07/11/2019

Agropecuária de primeira em solo arenoso

Foi o tempo em que se achava que as terras arenosas de Presidente Castelo Branco, a 40km de Maringá, não serviam para as culturas mecanizadas de grãos. Mas a tecnologia, aliada às boas práticas, está aí para mostrar que o arenito pode, sim, abrigar projetos agrícolas e pecuários altamente produtivos – e, se forem integrados, melhor ainda.

 

É o que se vê na Fazenda Santa Isabel, bem na divisa de Presidente Castelo Branco com São Jorge do Ivaí, onde o solo apresenta baixo teor de argila. O Rally Cocamar de Produtividade foi conferir isto de perto.

 

O Rally é patrocinado por Sicredi União PR/SP, Basf, Spraytec e Zacarias Chevrolet, Sancor Seguros, Elanco, Altofós Suplemento Mineral Cocamar, Texaco Lubrificantes e Cocamar TRR, com apoio da Unicampo, Cesb e Aprosoja-PR.

 

PRODUTIVIDADE - Em 100 alqueires (242 hectares), dos quais 12 de pastagens fixas e 80 destinados ao plantio de grãos, a propriedade pertencente à família Garcia demonstra que não há impeditivos para um salto de produtividade na agropecuária.

 

Quando adquiriram as terras há 23 anos, João Garcia e o filho André Carlos Garcia Vilhegas, habituados a cultivar a terra roxa, semearam soja em cima de pastos dessecados no sistema de plantio direto, depois de corrigir o solo. No entanto, com o passar do tempo, a produtividade não se sustentou. “Foi um aprendizado”, diz André, que é engenheiro agrônomo e, atualmente, vice-presidente da cooperativa Unicampo.

 

PIQUETES - Foi então que, com planejamento, eles começaram a instalar as bases de uma moderna programação que contempla agricultura e pecuária focada na engorda. O primeiro passo foi a implantação de 16 piquetes com área média de 7 mil m2 cada, mantidos com capim ponta-roxa, para abrigar os animais, em sistema de rodízio, entre os meses de setembro e maio.

 

Como o inverno continuava sendo limitante para a pecuária, pois nessa época os pastos tradicionais perdem volume, os Garcia incrementaram o projeto com a integração lavoura-pecuária. Dessa forma, a partir do cultivo de capim braquiária no outono (logo após a colheita da soja), eles passaram a ter pasto em quantidade e de qualidade entre maio e agosto, a época mais crítica do frio. Dessa maneira, a pecuária não apenas mantém seu potencial ao longo dos doze meses do ano, como os animais ganham peso em pleno inverno, o que não acontecia antes. Segundo André, o rebanho entra pesando nove arrobas em média, no mês de maio, e sai com doze em setembro.

 

MUITO ALÉM - Considerando que a média nos solos arenosos e de pastos degradados do noroeste paranaense é de apenas 1 cabeça animal por hectare, a Fazenda Santa Isabel, na soma do sistema de piqueteamento dos pastos no verão, e a integração no inverno, aloja a elevada média de dez a doze cabeças por hectare.

 

SOJA - A produção de soja, nos últimos anos, tem ficado ao redor de 140 sacas por alqueire (57,8 sacas/hectare): a cultura remunera os proprietários, acelera o fluxo de caixa e revitaliza o solo para a entrada da pastagem.

 

“Temos muitos planos para incrementar ainda mais a propriedade”, afirma André, citando que já foi obtida outorga de água e o objetivo, para o futuro, é instalar um equipamento de irrigação com pivô central.

 

Satisfeito com a realidade da Fazenda, o produtor João Garcia completa: “Ninguém precisa ter medo do arenito”.

 

 

 

Braquiária, um show

 

 

Na expectativa da visita do Rally, a família Garcia providenciou duas trincheiras com profundidade de 3,5 metros para demonstrar o quanto o capim braquiária, caracterizado pelo seu enraizamento agressivo, é importante para o solo. Na primeira, as raízes da braquiária (semeada em março e dessecada em agosto) foram vistas ao longo dos 3,5m das paredes da trincheira. “Se tivéssemos escavado mais, possivelmente nós as encontraríamos ainda mais fundo”, afirma o engenheiro agrônomo Mariucelio Santos Lima, gestor de Astec da Unicampo, que participou do trabalho.

 

O engenheiro agrônomo Alex Zaniboni, da unidade da Cocamar em Paranavaí, acompanhou a visita do Rally e explicou que as raízes da braquiária, entre outros benefícios, agregam o solo, rompem a camada de compactação, abrem canais que facilitam a infiltração de água e ciclam nutrientes das camadas mais profundas. E, na superfície, a palhada da braquiária protege o solo, mantendo-o úmido por vários dias após a chuva e inibindo o surgimento de ervas de difícil controle, como a buva.

 

Em outra trincheira, aberta onde havia sido feito o cultivo de aveia, as raízes dessa forragem não passaram de 20cm de profundidade. Em resumo: é ótima como palhada, mas não exibe um desempenho comparável à da braquiária, no subsolo.

 



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