Cocamar e Timac Agro finalizam projeto LeGado ILPF e prestam reconhecimento a pioneiros

05/11/2026

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A Cocamar Cooperativa Agroindustrial e sua parceira, a empresa Timac Agro, finalizaram na manhã de quarta-feira (4) com o apoio da Rede ILPF (Integração lavoura-pecuária-floresta), em Maringá, a primeira edição do projeto LeGado ILPF.

Com a presença de lideranças, produtores e técnicos de várias regiões do estado, o evento demonstrou o quanto a pecuária, conduzida durante o inverno, pode ser uma alternativa interessante na integração com cultivos de grãos, mantidos nos meses quentes.

LeGado ILPF

Na oportunidade, foram apresentados os resultados do projeto LeGado ILPF e prestado um reconhecimento a algumas pessoas que nos últimos 30 anos participaram ativamente da introdução e da consolidação do sistema de integração lavoura-pecuária (ILP) nos solos arenosos do noroeste paranaense.

Círculo vicioso

“Temos tecnologia. O desafio é transformá-la em resultado”, afirmou o especialista Armindo Barth, diretor da SIA Brasil, que atuou no assessoramento do projeto. Há geralmente, segundo ele, um círculo vicioso, que começa com baixo investimento por parte dos pecuaristas, o que ocasiona baixa percepção de valor, baixa intensificação, baixo resultado por hectare e baixa produtividade. “A pecuária, dentro da ILP, ainda é tratada como uma atividade secundária entre duas lavouras”, disse.

O projeto

Para mostrar a viabilidade da iniciativa realizada no período de 28/4 a 15/10 que contou com a participação de 37 produtores e foi implementada pela primeira vez neste ano, utilizando uma área de 40 hectares da Fazenda Jacarandá, em Nova Esperança, tudo começou em março com a nutrição das pastagens de braquiária, seguido do ajuste na suplementação do rebanho.

Pasto sustentou

Entre maio e junho, as baixas temperaturas coibiram o crescimento da braquiária, com retomada a partir de julho e o salto final com a pesagem real do lote de 119 animais. Isto, segundo Barth, confirma que o pasto sustentou a lotação e fechou o ciclo com 10.323 quilos de matéria seca por hectare. “O pasto foi melhor que muita ração”, afirmou o especialista.

Resultado

Em resumo, o resultado com 2,24 unidade animal (UA) por hectare em 170 dias de pastejo, utilizando um rebanho médio de 119 cabeças, que entrou pesando 263 quilos em média e obteve peso de saída de 380 quilos (um ganho por animal de 118 quilos) e um ganho de carcaça de 52%, com 4,1 arrobas por animal. O ganho médio diário foi de 0,830kg/dia.

Ou seja, a produtividade (ganho de peso vivo produzido no pasto) chegou a 366,9 quilos/hectare, o correspondente a 12,8 arrobas por hectare e um rendimento de carcaça de 52%. O ganho total foi de 14.674 quilos de peso vivo em 40 hectares, com faturamento bruto de R$ 4.578 por hectare (R$ 183.134 no total) para um custo total de R$ 3.443 por hectare (R$ 137.725 no total), o que significa que para cada R$ 1,00 investido, o retorno foi de R$ 1,33, uma margem de lucro de 24,8%.

Em que foi investido

O especialista explicou que 69,6% do investimento foi feito na implantação da pastagem, 27,4% na suplementação e saúde animal, e 2,9% na infraestrutura/mão de obra. “A pastagem é o maior investimento, mas sustenta todo o resultado ao longo do ciclo”, comentou Barth. Em resumo, o produtor teve um resultado final de R$ 1.135 por hectare, considerando a cotação da arroba a R$ 360.

Pecuária x milho de inverno

Só para efeito de comparação, a lavoura de milho de inverno apresentou um faturamento de R$ 1.065 por hectare no ciclo 2025/26, sendo que na média das últimas quatro safras o valor ficou em R$ 749/hectare. Ou seja, a pecuária integrada mostrar ser uma alternativa competitiva para diversificar a renda na segunda safra.

Homenagens

A segunda etapa do evento consistiu de homenagens. Além do próprio Arminio Barth, receberam um troféu o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, os pesquisadores Elir de Oliveira e Sérgio Alves (que integravam os quadros do Instituto Agronômico do Paraná-Iapar), Júlio Franchini (Embrapa Soja), Gessi Ceccon (Embrapa Agropecuária Oeste), o ex-gerente técnico da Cocamar, Antônio Sacoman, e produtores, entre os quais José Rogério Volpato, César Formighieri, Gérson Bortoli, família Andreoni e Albertino Afonso Branco.

Luiz Lourenço fez menção ao início do cultivo de grãos no noroeste, algo que a pesquisa oficial não autorizava, mas contou com a adesão dos pesquisadores Elir de Oliveira e Sérgio Alves, além da iniciativa do prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, que em 1997 lançou o Programa de Arrendamento de Terras (Pater). Isto fez com que o governo do estado olhasse com mais atenção para o potencial do noroeste do Paraná. De lá para cá, a integração ganhou força e se consolidou a partir da introdução da braquiária no sistema, já no começo da década de 2000.

“Fomos muito ousados”

O prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, destacou que o Pater abriu caminho para uma virada de chave na economia do município e região. “Fomos muito ousados”, disse ele, lembrando que a Cocamar aderiu desde o início.

Presenças

Entre outros convidados, participaram do evento o vice-presidente comercial da Timac Agro, Marco Justus, e equipe; o presidente executivo da Rede ILPF, Francisco Maturro; e o superintendente de Relação com o Cooperado da Cocamar, Renato Watanabe.