O evento de encerramento do Rally da Safra, em sua 23ª edição, promovido pela empresa Agroconsult, foi realizado na noite de quarta-feira (22) em Maringá, no salão social da Associação da Cocamar Cooperativa Agroindustrial. Além da equipe da Agroconsult e representantes de empresas patrocinadoras, participaram dirigentes e cooperados da cooperativa.
Na abertura, ao fazer sua saudação, o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, falou da satisfação da cooperativa em receber a iniciativa, destacando a importância do Rally para o acompanhamento das safras de soja e milho no país. “Sob a liderança de André Pessoa, o Rally da Safra se tornou uma ferramenta fundamental para uma avaliação mais precisa das estimativas de produtividade e das colheitas”, disse.
Dados gerais
A edição 2026 do Rally da Safra demandou 130 dias de trabalho, com mais de 100 mil quilômetros percorridos por 23 equipes a campo, que visitaram 2.516 propriedades rurais em 14 estados, das quais 1.776 produtoras de soja e 750 de milho. No total, 43.945 pontos georreferenciados.
Produtividade
Devido às condições meteorológicas, que impossibilitaram seu deslocamento a Maringá, o líder da Agroconsult, André Pessoa, fez uma palestra por vídeo. Ele destacou que a Bahia apresentou a maior média de produtividade de soja, 70,3 sacas por hectare, contra 68 do ano passado. No Mato Grosso e no Paraná, as médias foram praticamente iguais: 66 e 66,1 sacas/hectare. Já na região da Cocamar, a média da soja foi a menor do estado: 60 sacas/hectare.
O Rio Grande do Sul, a exemplo do que aconteceu em anos anteriores, registrou a menor média de produtividade do país: 40, 3 sacas por hectare.
Estimativas
A safra nacional é estimada pelo Rally em 184,7 milhões de toneladas, contra 173,2 milhões do ciclo anterior, tendo havido uma expansão de área de quase 1 milhão de hectares na temporada 2025/26. Desse montante, o esmagamento deve somar 63,3 milhões e a exportação 112 milhões, resultando em um estoque de 12 milhões de toneladas. Ele explicou que esses números podem oscilar um pouco em relação aos da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), que também faz levantamentos da produção.
Em nível mundial, a safra é projetada em 441,9 milhões de toneladas, pouco abaixo da demanda de 444.1 milhões. “Pela primeira vez em anos, estamos diante de um possível déficit na oferta”, afirmou.
El Niño
Quanto a possibilidade de um fenômeno climático El Niño de forte intensidade, que poderá ser marcado por maior volume de chuvas nos estados do Sul e São Paulo e de menos umidade do Nordeste brasileiro, Pessoa destacou que, por suas proporções, os efeitos poderão se irradiar para uma área maior. "Trata-se de um evento que poderá ser parecido com o ocorrido no ciclo 2015/16", citou.
Cotações
O palestrante comentou que as altas temperaturas registradas nos últimos dias nas regiões produtoras de grãos dos Estados Unidos geraram um alerta no mercado, o que elevou um pouco as cotações internacionais da soja. Segundo ele, as atenções se voltam também para o recrudescimento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que têm causado altas nos preços dos combustíveis. Ele projeta que a cotação da oleaginosa fique ao redor de 11,5 dólares por bushel.
Por ora, de acordo com Pessoa, o principal fator que têm sustentado os preços é o retorno da China às compras, tendo assumido o compromisso de adquirir 25 milhões de toneladas do grão dos Estados Unidos. “Os chineses vão permanecer no mercado”, disse, ao lembrar que o país asiático é tradicional comprador de soja brasileira e que clientes não atendidos pelos Estados Unidos deverão buscar o produto no Brasil.
Autor: Imprensa Cocamar