Com a participação da Cocamar, evento reunindo lideranças em Maringá debate os principais desafios do setor

20/03/2026

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O presidente do Conselho de Administração da Cocamar Cooperativa Agroindustrial foi um dos principais convidados do evento A Hora da Colheita, promovido na manhã de terça-feira (17) pela Rádio CBN Maringá na sede da cooperativa de crédito Sicredi Dexis.

Mediada pelo jornalista Carlos Alberto Sardenberg, âncora do CBN Brasil, a realização contou com a participação de várias lideranças do setor agropecuário regional para um debate sobre os desafios do momento.

Números

Ao abrir os trabalhos, Sardenberg apresentou números que denotam a relevância da atividade no atual cenário. No ano passado, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu 2,3%, a agropecuária apresentou uma expansão de 11,8%. “Sem o setor, o PIB nacional teria evoluído somente 1,8%”, comentou.

Ao mesmo tempo, enquanto a média de produtividade do trabalhador brasileiro evoluiu 0,5% no ano passado, a do produtor rural chegou a 14%.

“Não dá para pensar o Brasil sem a força de um setor que é o seu campeão mundial”, destacou o jornalista.

Grave crise

Em seu pronunciamento, Luiz Lourenço citou que a expansão da agropecuária brasileira acontece mesmo em um momento de grave crise enfrentada pelo setor, com preços comprimidos, custos elevados, quebras de safras em função de recorrentes problemas climáticos e falta de apoio oficial: “Estamos vendo uma tempestade perfeita. De um lado, ainda, muitas empresas em dificuldades e, de outro, aumento de inadimplência e um elevado percentual de produtores sem crédito”.

Ele disse ainda que faz parte da natureza do produtor expandir suas lavouras e que o aumento das áreas cultivadas com soja, por exemplo, vem acontecendo todos os anos no Brasil.

ILPF

Por outro lado, há uma tendência no país, de acordo com Lourenço, de que grandes extensões de áreas de terras degradadas em vários estados sejam incorporadas nos próximos anos ao processo produtivo, por meio do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Ele explicou que a ILPF já é praticada, em diferentes formatos, em mais de 15 milhões de hectares dos 83 milhões cultivados com grãos atualmente no Brasil, representando um expressivo aumento de produtividade.

Problemas

Entre os outros debatedores, Cláudio Adamuccio, presidente do Grupo G-10, de transportes rodoviários, sediado em Maringá, comentou que a falta de mão de obra é um problema cada vez mais crítico em seu setor. O grupo, maior transportador de grãos do país, se ressente da escassez de motoristas.

Já o presidente da Usina Santa Terezinha, Paulo Meneguetti, lamentou a falta de investimentos em infraestrutura: “Tivemos que investir 45 milhões de reais para instalar uma rede em diversas regiões do Paraná, para podermos contar com internet de melhor qualidade. Seria um papel do poder público, pois estamos beneficiando com isso, também, a população de dezenas de municípios”.

Desafios e juros altos

Ao finalizar, Sardenberg utilizou o exemplo da Santa Terezinha para mostrar que cabe ao próprio setor buscar soluções para os seus desafios: “Se você pedir para uma operadora fazer esse investimento, vai ficar esperando indefinidamente”.

Sobre a questão das elevadas taxas de juros, um dos temas bastante comentados durante o evento, o mediador disse que não há muito o que esperar em relação a cortes, pois o governo mantém a política de gastar mais do que arrecada. Com isso, a dívida interna do país já chega a quase 78% do PIB, quando o ideal seria ficar entre 40 e 50%.

Oportunidade

Ao mesmo tempo, pressões exercidas sobre o custo de vida por conflitos como a guerra com o Irã, criam incertezas que desestimulam previsões futuras em relação a uma taxa menor.

Sardenberg disse, ainda, que as guerras podem acabar criando uma oportunidade para o Brasil, pois vários países envolvidos nos conflitos dependem de importar alimentos. “Há uma preocupação muito grande com a insegurança alimentar e o Brasil, como grande produtor e exportador, pode se beneficiar disso".