Quem percorre as lavouras de soja no norte do Paraná, percebe a animação de produtores e técnicos.
Motivos não faltam: o desenvolvimento da cultura é considerado satisfatório e se continuar chovendo com regularidade, como vem acontecendo, a expectativa é de uma safra praticamente normal.
Foi este o cenário que o Rally Cocamar de Produtividade encontrou na quarta-feira (7/1) em Sertanópolis, Primeiro de Maio e Cambé, importantes municípios produtores do entorno de Londrina.
Renato Watanabe e Rafael Furlanetto, respectivamente gerente executivo técnico e gerente técnico da Cocamar, acompanharam o Rally.
Mais tardio
Nessa região, em regra, a semeadura ocorre mais tardiamente. Para se ter uma ideia, enquanto a colheita já está começando em Iporã, no noroeste, no norte a maior parte das lavouras ainda avança para o estágio de enchimento de grãos.
“Se o tempo continuar ajudando, esperamos colher umas 150 sacas por alqueire”, afirmou o cooperado César Augusto Belizaro Sorioni, de Sertanópolis. Na medida em hectares, são 62 sacas. É praticamente a mesma média do ano passado, quando fechou com 148 sacas.
César, que cultiva 110 hectares (45 alqueires), é atendido pelo engenheiro agrônomo Marcelo Richter, da unidade local da cooperativa.
Variações
No entanto, isto não é um padrão. “Temos lavouras de tudo que é jeito, desde as muito boas até as mais debilitadas”, explicou Marcelo.
Segundo ele, a falta de chuvas, no início do ciclo, atrasou a semeadura, não raro obrigou produtores a repetirem a operação, ao passo que variedades mais suscetíveis foram acometidas de algumas doenças.
Mesmo assim, no geral, a expectativa é de uma produtividade acima de 130 sacas por alqueire, contra 150 sacas de média em anos mais favoráveis.
Potencial afetado
“Este ano não está tão bom”, lamentou o produtor José Dorigon, também de Sertanópolis, que cultiva cerca de 200 hectares (80 alqueires), ao dizer que os problemas climáticos prejudicaram o potencial produtivo das lavouras. Por isso, acha que não conseguirá atingir a média de 62 sacas (150 por alqueire) obtida na safra passada.
Já na vizinha Primeiro de Maio, onde nos últimos anos o clima quente e seco castigou a safra de verão, o ano promete ser diferente.
“Está indo tudo bem, por enquanto”, comentou o produtor Osvaldo Luiz Frederico. Ele, os irmãos José Edmundo e Antônio Roberto mantêm 850 hectares (350 alqueires) com soja numa propriedade às margens da represa Capivara. Entre outros cuidados, os irmãos fazem o manejo adequado do solo e investem na sanidade da cultura.
“Se continuar assim, nossa expectativa é de 140 a 150 sacas por alqueire”, disse Osvaldo, advertindo que com as altas temperaturas, uma estiagem de dez a doze dias pode afetar a produtividade.
Por ora, tudo bem
“O cenário até o momento é muito favorável”, destaca o gerente da unidade da cooperativa em Primeiro de Maio, Itamar Ansiliero. “Os produtores estão animados, na esperança de que as chuvas de janeiro consolidem a safra”, acrescentou. A colheita deve começar em meados de fevereiro.
Otimismo
Em Cambé, o quadro também é de muito otimismo, de acordo com o engenheiro agrônomo Manolo Tramontina, da Cocamar. Mas também há variações de padrão no município, desde lavouras com elevado potencial, como as da região do Caramuru, a algumas onde o clima deixou marcas mais visíveis, como no Quilômetro Doze, onde alguns produtores tiveram que repetir a semeadura mais de uma vez.
De qualquer forma, mesmo nesses casos, com as chuvas mais regulares, a expectativa é de uma boa colheita.
Avaliação positiva
“Em geral, nós gostamos do que vimos nessas regiões”, avaliou o gerente técnico Rafael Furlanetto, a respeito da qualidade das lavouras, ao destacar também que não foi observada a incidência de doenças e pragas importantes.
Rafael explica que a soja é uma cultura resiliente, que consegue compensar falhas ocorridas no início. “Podemos dizer que a cultura apresenta um ótimo potencial produtivo, mas ainda vai depender de chuvas nas próximas semanas”.
Sobre o Rally
O Rally Cocamar de Produtividade, em seu 11o ano de realização, conta com o patrocínio da Corteva, Sicredi Dexis, Fertilizantes Viridian e Nissan Bonsai Motors.