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COCAMAR NOTÍCIAS - 06/08/2008


- Milho transgênico começa a chegar à região
- Novo milho Bt, nos EUA, combina várias tecnologias
- Safra de soja, no País, vai ser definida na “última hora”
- Fim do La Niña promete regularidade de clima no Paraná


SAFRA 2008/09

Milho geneticamente modificado já está chegando à região

Oferta de sementes para a safra de verão vai ser pequena, mas previsão é de volume bem maior para a “safrinha”, no inverno do ano que vem
Os produtores da região da Cocamar já vão ter para a safra de verão 2008/09 uma pequena quantidade de sementes de milho Bt (geneticamente modificado). A aprovação do plantio desse milho no Brasil se deu em agosto de 2007 e foi ratificada no dia 12 de fevereiro de 2008.
O plantio começa em setembro mas o cultivo é bastante reduzido durante o verão na região da Cocamar, uma vez que os produtores optam em sua grande maioria pela cultura da soja.
De acordo com técnicos, quem já se acostumou a trabalhar com a soja RR (em que se usa glifosato para o controle de ervas daninhas) precisa entender que, no caso do milho, a tecnologia não é a mesma. Ou seja, o milho GM foi desenvolvido para apresentar resistência ao ataque de lagartas do cartucho, da espiga e do colmo.
Duas companhias detêm tecnologias próprias e estão autorizadas a comercializar sementes no Brasil: a Monsanto (detentora das marcas Agroeste, Agroceres e Dekalb ) e a Syngenta .
O plantio de milho é intensificado na região da Cocamar durante o período de inverno. Nos últimos anos, a chamada “safrinha” cresceu fortemente e a previsão é que os produtores vão ter à sua disposição sementes Bt para plantar no inverno de 2009.
Sempre quando surgem novidades assim, a exemplo do que já ocorreu com a soja RR, os produtores ficam apreensivos, inseguros e com muitas dúvidas. Por isso, a edição de agosto do Jornal de Serviço Cocamar, que começa a ser distribuída por volta do dia 20, vai trazer uma ampla reportagem sobre o milho Bt, elaborada com informações fornecidas pelas empresas Syngenta, Monsanto e Pioneer. (Flamma)


TRANSGENIA

Novo milho Bt, nos EUA, combina várias tecnologias


O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aprovou comercialmente, em 24 de julho, o milho MON 89034, uma nova tecnologia da Monsanto para proteção da cultura do milho contra o ataque de alguns insetos-praga. A nova tecnologia controla pragas da parte aérea da planta e será combinado com tecnologias que controlam pragas de raiz, por exemplo, e também que conferem tolerância a herbicidas (tecnologia RR). Um exemplo de produto combinado é o milho YieldGard VT Triple PROTM, que deverá ser disponibilizado aos agricultores americanos em 2009.
Daniel Glat , diretor regional da Pioneer International , Inc. para América Latina, África e Ásia, lembra que nos Estados Unidos 90% da soja é RR; no milho, em 2007, mais de 90% da área foi plantada com algum tipo de milho transgênico , cujos principais são os milhos Bt , RR e CRW (contra pragas das raízes), cada vez mais ofertados em combinações de 2 (Double-stacks ) e de 3 deles ( Triple-stacks). Estes últimos devem representar mais de 30% da área de milho em 2008. (Informativo Pionner)


SOJA

Safra brasileira vai ser definida “na última hora”


Diante das incertezas sobre o futuro da economia americana e dos efeitos nas commodities agrícolas, a safra brasileira mostra-se com uma única convicção: será "de última hora". O primeiro levantamento da Safras & Mercado sobre o ciclo 2008/09 no Brasil mostra que até sexta-feira passada foram comercializados antecipadamente 7% da colheita prevista de soja, percentual que em 1º de agosto de 2007 era de 21% e, na média dos últimos 5 anos, 10%.
A restrição de crédito por parte de tradings, que financiam sobretudo o plantio no Centro-Oeste, é apontada como um dos principais fatores para o "atraso" na negociação. Estimativa da Agroconsult prevê que as tradings vão oferecer 28,5% menos crédito nesta safra de soja que, por conta da alta nos custos de produção, precisará de 39% mais dinheiro para realizar a mesma área do ciclo anterior. "As tradings estão sendo afetadas pela menor disponibilidade de crédito internacional", afirma Flávio França Júnior, da Safras & Mercado.
DINHEIRO ESCASSO - Em 40 dias começa o plantio em alguns estados e ainda não se sabe quanto dos insumos necessários já foram adquiridos, segundo Marcelo Duarte, diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), estado que responde por cerca de 30% da oferta da oleaginosa no Brasil. "O dinheiro está escasso. Acreditamos que na última hora o produtor vai comprar um pouco de adubo com a renda do milho safrinha e plantar a mesma área com menor uso de tecnologia", acrescenta Duarte.
O levantamento da Safras & Mercado mostra que até 1º de agosto Mato Grosso tinha comercializado antecipadamente 18% da safra de soja 2008/09, ante os 37% do mesmo período de 2007. Em Goiás, o recuo foi de 20% para 6% e, em Mato Grosso do Sul, de 15% para 4%. Somente Mato Grosso demandou na safra passada 2,7 milhões de toneladas de adubo, segundo a Aprosoja. O volume é mais do que tudo o que foi vendido no Brasil no primeiro semestre deste ano para a safra de verão. De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) dos 11,5 milhões de toneladas comercializadas de fertilizantes, 2 milhões foram antecipações para soja e milho. "As trocas de soja verde por insumos estão baixas porque a volatilidade de preços está muito alta dos dois lados. O produtor da safra de verão comprou adubo antecipado com o que sobrou de dinheiro com venda de grãos no começo do ano, já com receio da maior alta no preço do fertilizante", avalia Eduardo Daher, diretor-executivo da Anda.
EXPANSÃO - Apesar do cenário de crédito escasso e queda nos preços da soja no mercado internacional, a consultoria Céleres apurou que o plantio do grão no Brasil será 5,2% maior, de 22,395 milhões de hectares. "Nos surpreendemos no Paraná, com produtor trocando milho por soja. Além disso, mesmo com os preços em queda, aos níveis de 13,29 centavos de dólar por bushel, o produtor de Sorriso (MT) tem rentabilidade líquida de 10%. Se a produtividade for de 55 sacas por hectare. Se o grão continuar dando margem, na última hora o produtor tira leite de pedra e planta", acredita Anderson Galvão, da Céleres. (Gazeta Mercantil)


CLIMA

Fim do La Niña deve favorecer produtor


Acostumado às adversidades climáticas, o produtor brasileiro tem o que comemorar neste ano. Se depender do clima, não haverá problema. O padrão desta safra, por enquanto, é de neutralidade. O efeito do La Niña acabou e ainda não há El Niño. Nas duas temporadas anteriores houve atraso ou adiantamento do período das chuvas, refletindo-se no período de plantio da produção.
Apesar de a umidade do solo estar baixa atualmente em boa parte do Brasil - inferior a 60%, nível indicado para o plantio - os meteorologistas dizem que as chuvas voltam na época certa, recuperando o déficit hídrico. "As chuvas vêm para suprir parte das necessidades hídricas para o início do plantio", diz Mozar Salvador, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Segundo ele, em parte do Sudeste e no Paraná, onde o clima estava seco, as precipitações voltaram no final-de-semana e a tendência é de que até setembro sigam um período de seca alternado a um de chuvas quando, então, o clima voltaria à sua normalidade para a época. No Centro-Oeste, pelas estimativas do Inmet, a condição de seca persiste até meados de setembro. Naquela região, atualmente, a umidade do solo varia entre 10% a 30%.
"Diferente do ano passado, quando a seca começou mais cedo e a entrada das chuvas demorou, agora a situação é de normalidade. As chuvas foram até maio e retornam em outubro", afirma Paulo Etchitchury , da Somar - referindo-se ao Centro-Oeste. Segundo ele, o período de seca, neste ano, será quase 60 dias inferior a 2007. O mesmo padrão esperado para Centro-Oeste deve ocorrer em Minas Gerais e no Espírito Santo. Em São Paulo, a previsão é do retorno das precipitações de forma mais rápida. A umidade no solo no estado atualmente varia entre 20% a 50%.
REGULARIDADE - No Sul, segundo os meteorologistas, o padrão é de precipitações regulares em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No Paraná, de acordo com Marcelo Pinheiro, da ClimaTempo, a regularidade virá a partir de setembro. Etchitchury lembra que, por causa do La Niña, a região vinha com déficit hídrico desde o início do ano. "Está havendo uma recuperação parcial", afirma. Ele acrescenta, no entanto, que alguns reservatórios na região arrozeira do Rio Grande do Sul ainda não estão totalmente recuperados. De acordo com os dados da empresa, na região Sul do Brasil a umidade do solo varia entre 60% e 70%, ou seja, propícia ao início do plantio. Apenas em parte da região da Campanha gaúcha é que o índice está abaixo: entre 40% e 50%.
"Se depender do clima, por enquanto, não tem quadro assustador. No ano passado, em algus lugares, a chuva só voltou em meados de outubro, atrasando o plantio", lembra Pinheiro. Apesar disso, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o País colheu 142,4 milhões de toneladas - uma nova pesquisa será divulgada nesta quinta-feira. (Gazeta Mercantil)

 
   

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