Na abertura da região Norte e Noroeste do Paraná, a terra vermelha era famosa por sua alta fertilidade natural e produtividade. Porque hoje temos as menores produtividades de soja do Estado do Paraná, quando comparadas as regiões do Centro-Sul?
Diversos problemas têm sido apontados como responsáveis por baixas produtividades. Excesso de chuvas ou estiagens prolongadas, monoculturas em sucessão (soja versus milho safrinha), compactação de solos, máquinas inadequadas ao plantio direto na palha, excesso de doenças e pragas, dentre outros.
Em 2007, especialmente na região de basalto encontram se algumas lavouras de soja com morte de plantas, baixa população e cujo replantio é necessário.
Os sintomas apresentados são semelhantes àqueles ocorrido na safra 2002/2003 quando houve uma elevada precipitação nos meses de novembro a fevereiro.
Precipitação média da região de Maringá (basalto) na safra 2002/2003 (em mm)
| MÊS/ANO |
SET/02 |
OUT/02 |
NOV/02 |
DEZ/02 |
JAN/03 |
FEV/03 |
MAR/03 |
| Precipitação |
152 |
88 |
300 |
183 |
362 |
237 |
158 |
Fonte: Cocamar
Nesta safra a severidade da ocorrência tem sido menor, mas o problema em comum com a safra 2002/2003 tem sido o manejo incorreto do solo. Nos anos seguintes a 2003 foram estiagens prolongas associadas à má distribuição das chuvas que causaram baixas produtividades. Então chovendo bastante se perde produtividade e o contrário também é verdade. Como proceder então?
O diagnóstico destas áreas problemas mostra aspectos variados, mas todos interligados à falta das boas práticas agronômicas.
Selamento superficial: a planta tem dificuldades para romper a superfície endurecida do solo tendo parte do caule subterrâneo engrossado pela transformação da energia em etileno. Caso haja chuva logo em seqüência ao selamento o problema ficaria resolvido por amolecer a camada superficial.
O corte de plantio em forma de “V” fica selado, encharcado pela água e a raiz morre por falta de oxigênio. Fungos saprófitas atacam a raiz morta para promover a decomposição.
Plantas com raízes superficiais, dentro do “V” sofrem por estiagem rapidamente e também tem a morte da planta. Não há água para ser bombeada e a planta entra em colapso (escaldadura das folhas).
Compactação solo presente à 10-12 cm de profundidade limitam o crescimento das raízes em profundidade e as plantas sofrem mesmo com veranicos custos.
Em solo descoberto a temperatura da superfície chega á 60ºC, provocando anelamento (estrangulamento) rente ao solo.
Temos observado lixamento do caule e folha por jato de areia provocado pelo vento forte antes das chuvas.
Na safra 2006/2007, a macrofina (Macrophomina phaseolina) também tem atacado as raízes da soja interrompendo a circulação de água e nutrientes causando prejuízos.
Solo bem manejado, corrigido em profundidade, com bom teor de matéria orgânica, equilibrado nutricialmente e com cobertura evita-se todos estes problemas e se obtém altas produtividades.
Exigências Climáticas da Soja
A água compõe 90% da planta. Atua em praticamente todos os processos fisiológicos e bioquímicos. Age como regulador térmico da planta. É de fundamental importância a sua presença suficiente nos estádios de germinação, emergência, floração e enchimento de grãos. Para se ter uma idéia, nos estádios de floração e enchimento de grãos as plantas necessitam de 7 a 8 mm/dia de água. Déficit hídrico nesta fase provoca alteração fisiológica na planta com queda prematura de folhas e flores, abortamento de vagens, resultando em redução de rendimento.
A temperatura é outro fator que pode alterar sensivelmente a produtividade. A soja tem seus processos fisiológicos mais equilibrados em temperatura variando entre 20 a 30ºC. Temperaturas maiores que 40ºC, prejudicam o crescimento, causam distúrbio na floração e diminui a capacidade de retenção das vagens e força a maturação. Estes problemas se acentuam com a ocorrência de déficit hídrico.
A água é transportada para a atmosfera na forma de vapor. A evapotranspiração, evaporação de água do solo somada à água transpirada pelas superfícies vegetadas, juntamente com a precipitação é um dos mais importantes componentes do ciclo hidrológico. A diminuição da perda de águas passa pelo processo de cobertura do solo e melhoria nos teores de matéria orgânica do solo.
A matéria orgânica e cobertura do solo agem na redução no processo de erosão; funciona como uma almofada evitando compactação pela circulação de máquinas e implementos; segura e disponibiliza nutrientes às plantas; aumenta a taxa de infiltração de água, retendo-a em maior quantidade e disponibilizando às plantas via raízes; reduz a temperatura do solo; estimula a atividade biológica; melhora a agregação das partículas do solo; aumenta a capacidade de troca de cargas positivas; melhora a mobilidade de nutrientes; complexa elementos tóxicos, tais como alumínio e manganês; etc.
Os problemas são muito reduzidos com práticas agronômicas há muito tempo conhecidas: rotação de culturas, cobertura do solo, nutrição equilibrada das plantas.
Se estes conhecimentos preconizados pela pesquisa e difundidos por nossos técnicos fazem mudar o quadro positivamente, porque então o produtor não adota um planejado e adequado sistema de rotação de culturas em plantio direto na palha em cobertura, com correto manejo de solo?
A adoção sempre depende de fatores tais como:
• Quadro sócio-econômico do agricultor;
• Fator cultural;
• Sucessão soja e milho safrinha;
• As regiões tropicais diferente das temperadas não exigem processos automaticamente mais complexos de sistemas de produção em função do clima;
• Exige mudança de comportamento do agricultor;
• Exige avanços no sistema de gerenciamento dos processos;
• Exige novos conhecimentos técnicos;
• Exige modificações no sistema de produção;
• Exige mudanças na infraestrutura de produção

Cobertura de nabo + aveia Iapar 61

Cobertura de Brachiária ruziziensis

Milho safrinha com braquiária pós-colheita
Eng. Agro. Antonio Sacoman
Coordenador Técnico
Cocamar - Coopeartiva Agroindustrial