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Matérias Técnicas

Plantado desde 1997 numa região de 3,2 milhões de hectares, no Noroeste do Estado do Paraná, o Projeto Arenito Nova Fronteira está coroado de sucesso.
A produtividade de leite e carne é muito baixa devido às pastagens muito fracas estabelecidas em solos esgotados e exauridos em sua fertilidade ao longo do tempo.

Produz-se em média 3,7 arrobas de carne ou 127 litros de leite por hectare por ano. A terra tem 85-90% de areia, níveis críticos de fertilidade, solos vulneráveis à erosão, embora com índices chuvas entre 1.370 a 1.668 milímetros ao ano. Praticar agricultura comercial nestas condições parecia uma aberração agronômica a poucos mais de 10 anos atrás.

Outrora, a forte economia da região girava em torno do café. As propriedades, de modo geral médias ou pequenas, abrigavam um grande número de pessoas ocupadas nas lavouras. Com a diminuição dos cafezais, a pecuária extrativista tomou conta de toda a região. As pastagens nunca foram vistas ou tratadas como uma cultura outra qualquer. Cada vez mais a geração de rendas foi diminuindo e a sua população foi migrando para outras regiões agrícolas do país ou para grandes centros urbanos à procura de trabalho para sua sobrevivência.

A recuperação social e econômica da região precisava buscar um rumo novo. Este novo rumo começava pela agricultura como caminho para recuperação dos solos e permitir o retorno de pastagens de alta produtividade. Mas como? 

Nasceu então o Projeto Arenito Nova Fronteira. Inicialmente, pelo pioneirismo, a Prefeitura de Umuarama, juntou-se para a execução de pesquisas específicas o IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná, o apoio logístico e financeiro da COCAMAR – Cooperativa Agroindustrial e também o apoio econômico da Syngenta financiando o projeto de pesquisa. Criava-se o Sistema de Integração Lavoura e Pecuária. A nova tecnologia gerada tem manejo de solo específico e plantio direto sobre palhada. As áreas a serem recuperadas recebem culturas de inverno e verão por um período não inferior a 3 anos e depois volta a pastagem nos solos já recuperados química, física e biologicamente.

PRINCÍPIOS DA TECNOLOGIA PRECONIZADA
· Sistematização do terreno quando necessário;
· Formação de palhada com aveia/milheto;
· Plantio direto na palha;
· Alimentação do gado no inverno com aveia/milheto/silagem;
· Rotação de espécies plantadas na área de agricultura;
· Controle da erosão;
· Proteção das aguadas e nascentes;
· Manejo correto e fertilização das pastagens novas.

POTENCIAL DE RENDIMENTO
Soja de 1º ano 3.200 kg/ha
Soja de 2º ano 4.000 kg/ha
Milho 9.000 kg/ha
Sorgo silagem 18 t/ha de MS
Sorgo uranífero 7.400 kg/ha
Canola 2.200 kg/ha
Trigo 4.000 kg/ha
Triticale 4.000 kg/ha
Aveia forrageira 12 t/ha de MS
Aveia granífera 4.200 kg/ha
Carne a pasto 41 á 52 arrobas/ha/ano
Fonte: IAPAR

Em áreas comerciais, se tem alcançado produtividades iguais ou melhores àquelas conseguidas nas regiões tradicionais do Basalto (terra vermelha).

Na safra 2004 estima-se 723 mil hectares de lavouras de verão e 220 mil hectares de lavouras de inverno – soja, laranja, café, cana de açúcar, milho, algodão, trigo, triticale, feijão, canola, aveia, sorgo, milheto, etc. Somente a soja era 186 mil hectares em 2002, 253 mil hectares em 2003 e 344 mil hectares em 2004.

O Sistema de Integração Lavoura e Pecuária gera um faturamento bruto estimado entre R$ 2.300,00 à R$ 3.000,00 por hectare ao ano contra menos de R$ 220,00 por hectares ao ano nas pastagens degradadas. Além disso, a cada 1.000 hectares, são gerados aproximadamente 35 empregos diretos e indiretos na cidade e campo, contra 1 a 2 empregos na situação anterior.

Para levar tecnologia ao produtor rural, dezenas treinamentos, palestras, dias de campo já foram realizados neste vários anos de trabalho. Mais de 10 mil produtores já foram atingidos. Também foram treinados técnicos da Extensão Rural – EMATER, Cooperativas, Bancos, Empresas de Assistência Técnica privadas, etc.

A região conta com três Centros de Pesquisas e Difusão de Tecnologias a cargo do IAPAR – Umuarama, Cianorte e Paranavaí. Duas publicações técnicas já foram geradas.

Ao longo dos anos, através da tecnologia gerada pelo IAPAR, mostrou-se o modelo de manejo e preparo de solo adequado, teste de cultivares de diversas lavouras para verão e inverno, sistemas de integração de agricultura com pecuária, custo e rentabilidade dos sistemas, benefícios para o homem e meio ambiente, etc. Apesar disto, muitos agricultores e pecuaristas, talvez por ignorância desta tecnologia específica ou por ganância e imediatismo ou ainda por assistência técnica despreparada quando vem de outras regiões, bastante práticas agrícolas inadequadas se tem feito. Podemos citar:

1. Sistematização de terrenos nos meses que precedem o plantio de verão.
2. Curva de nível mal feita e sem estabilidade.
3. Plantio convencional.
4. Manejo errado de ervas daninhas
5. Plantio em áreas com manejo anterior de pastagem feita com Tordon.
6. Pagamento de altas rendas (30 a 40 sacas de soja por alqueire) ao pecuarista. Faltam recursos para investimentos.

Lembramos que em situações de chuvas concentradas, como ocorreu no verão de 2004, na região de Umuarama, Iporã a Altonia, em função das diversas situações acima, muitos foram os prejuízos causados ao solo, meio ambiente, à capacidade produtiva da terra e ao valor da propriedade. Em casos de veranicos, os prejuízos também são severos. Nesta região, no mesmo ano de 2004, houve prejuízos severos às lavouras com plantio inadequado: soja, algodão, milho, pastagens erodidas, etc. Os prejuízos ocorreram primeiro com excesso de chuvas concentradas em curtos períodos e depois com seca (chuvas irregulares). Onde a tecnologia foi corretamente aplicada não houve tais inconvenientes.

Entendemos que a primeira fase deste grande Projeto Arenito Nova Fronteira já está sendo finalizado. Devemos agora, planejar estrategicamente a longo prazo, vários aspectos relevantes da nova fase: política, pesquisa, extensão rural, atividades agrosilvopastoris e proteção ambiental.

Engenheiro Agrônomo Antonio Sacoman
Coordenador Técnico - Arenito e Grãos

 
 
 
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