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A FUNDAÇÃO DA COCAMAR

Maringá era uma dessas jovens e prósperas cidades que brotaram em meio ao fulgor da cafeicultura e cresciam a largas passadas. Com uma década e meia de existência apenas, o município, já um centro regional respeitável, teria também a sua cooperativa. 

Coube ao então gerente do Banco do Brasil, Milton Mendes, a tarefa de arregimentar os produtores e discutir a idéia. Várias reuniões se se-guiram até que a entidade fosse, enfim, formatada e ganhasse personalidade jurídica. Nascia a 27 de março de 1963 a Cooperativa de Cafeicultores de Maringá Ltda, cuja primeira diretoria era composta pelo presidente Arthur Braga Rodrigues Pi-res, o diretor-gerente Aloysio Gomes Carneiro e o diretor-secretário Benedito Lara. 
 

 

 "SEU" JOAQUIM, COOPERADO Nº2

O fazendeiro Joaquim Romero Fontes é um homem a quem a Cocamar não se cansa de prestar homenagens. A ele a cooperativa deve a própria sobrevivência: logo após a fundação, a entidade precisava sair do papel, mas, para isso, não tinha nenhuma estrutura e nem endereço. Ainda frágil, corria o risco de perecer, a exemplo do que acontecia com muitas outras cooperativas. A idéia era boa, mas colocá-la em prática dependia da união e do engajamento dos cafeicultores. Como eles não estavam habituados a pensar como cooperativistas, prevalecia o individualismo.

Foi aí que o “seu” Joaquim, cafeicultor conceituado que havia chegado em 1949 e feito a vida rapidamente na lavoura, ofereceu a estrutura de sua máquina de café, situada na rua Caramuru, para que a Cocamar tivesse uma sede e pudesse beneficiar a produção dos cooperados. Podia ser usada sem ônus, pelo tempo que fosse necessário. 

“Eu sempre acreditei na cooperativa”, lembra o fazendeiro. “Ela seria muito vantajosa para os cafeicultores, porque eles estavam abandonados e ficavam à mercê de qualquer comprador que aparecesse”. 

A solução, curiosamente, tinha sido apresentada por Joaquim, com certeza um dos poucos produtores que, a rigor, não dependeriam tanto de uma cooperativa, pois como era dono de máquina, processava ele próprio a sua safra e ia comercializando aos poucos.
Graças ao gesto do seu cooperado n° 2, a Cocamar teve fôlego para estruturar-se e, em dois anos, transferir sua operação para instalações próprias na Avenida Prudente de Moraes. 

Com 92 anos completados em junho de 2007, Joaquim Romero Fontes não é apenas um homem de muitas recordações e merecidas homenagens pelo seu trabalho em prol do desenvolvimento de Maringá e região, onde, entre várias outras iniciativas, ajudou a levantar a Catedral Metropolitana e a fundar uma série de instituições, entidades e clubes. É o presidente, com voz de comando, da Sociedade Rural de Maringá (SRM), uma das mais importantes do Paraná. 



A HISTÓRIA DA COOPERATIVA PODE SER DIVIDIDA EM VÁRIAS FASES

Café (1963-1967) 

Muito embora fosse fundada por cafeicultores, a Cocamar ficou poucos anos lidando exclusivamente com essa atividade, a qual não garantiu sustentação à cooperativa. No começo dos anos 60, a cafeicultura vinha passando por um período de decadência e preços baixos, o que deixou a entidade em situação difícil, endividada e à beira da insolvência. 


Diversificação (a partir de 1967) 

O algodão foi uma tentativa bem sucedida para que a Cocamar conseguisse se reabilitar. Para isso, comprou uma usina de beneficiamento de segunda mão, com recursos do Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC). Logo no primeiro ano, o resultado foi tão bom que a cooperativa saldou todas as suas contas e começou a investir em uma segunda unidade de beneficiamento. A Cocamar continuou recebendo e beneficiando café, além de investir na recepção de outros produtos. 


Grãos (a partir de 1971) 

Em 1971, a diretoria ouviu o conselho do então ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima, e decidiu investir na construção de um armazém graneleiro com fundo em “v”, novidade no Paraná. Com isso, a cooperativa antecipou-se à chegada das culturas mecanizadas de grãos. Com a existência do graneleiro, os produtores se encorajaram a plantar soja, cultura que foi avançando rapidamente, ao mesmo tempo em que a Cocamar construía novos graneleiros. Em 1975, com a forte geada que destruiu os cafezais, a soja passou a dominar a agricultura regional, onde o café resistia ao lado do algodão, milho, trigo e outras lavouras. Entrepostos da cooperativa começam a ser instalados pela região 

 


 Industrialização (a partir de 1979)

Para não continuar sendo uma mera repassadora de matéria-prima ao segmento industrial, a Cocamar decidiu industrializar soja. Para isso, lançou mão de recursos subsidiados que eram oferecidos pelo governo federal. Implantou, assim, a primeira unidade de fabricação de óleo e farelo de soja do cooperativismo paranaense. Depois dessa unidade, a cooperativa instalou várias outras ao longo dos anos 80: uma indústria de óleo de caroço de algodão, refino e envase de óleos vegetais (inaugurando sua presença nas gôndolas dos supermercados com o óleo de soja Cocamar), torrefação e moagem de café, fiação de algodão e fiação de seda. Mais cidades são servidas com entrepostos.

 

Laranja ( a partir de 1986)

Diversificada, fortalecida e com uma grande estrutura industrial, a Cocamar investiu em um projeto audacioso: a viabilização da citricultura como opção de renda no empobrecido Noroeste do Paraná. Mobilizando lideranças políticas estaduais e regionais e procurando sensibilizar os produtores em relação a essa interessante exploração, criou-se um grande movimento e os primeiros pomares começaram a ser plantados em meados da década. Ao mesmo tempo, a cooperativa investe na instalação de um parque industrial de seda. Essa fase coincide com a grande crise econômica enfrentada pelo País, em que a inflação fugiu do controle. Novos entrepostos continuam sendo abertos na região. 

Expansão agrícola (a partir de 1997)

Na segunda metade dos anos 90, a Cocamar passa a apoiar integralmente o programa de integração agricultura e pecuária na região Noroeste do Paraná. Era uma oportunidade de promover a expansão do cultivo de grãos em sistema de reforma de pastagens degradadas e, dessa forma, ampliar os volumes de recebimento de soja. Vários entrepostos são instalados na região do arenito caiuá, para apoiar os produtores.

Consolidação (a partir de 2003) 

Em 2003, quando a Cocamar completou 40 anos, recordes consecutivos de faturamento, bem como de recebimento de produtos agrícolas, vinham sendo batidos. O cultivo de soja se expandia pelo Noroeste e, ao mesmo tempo, crescia com vigor o cultivo de milho de inverno na região. A Cocamar já havia conseguido, também, renegociar seu passivo junto a instituições financeiras e apresentava crescimento contínuo. Novas indústrias foram implantadas nesse ano: néctares de frutas, bebidas à base de soja, maioneses, atomatados e molhos. A Cocamar se impunha como uma marca cada vez mais forte no segmento de varejo e também como uma das mais lembradas pela população do Paraná. 

Em 2005 e 2006, a agricultura brasileira enfrentou forte revés em razão dos baixos preços das commodities e, também, estiagens que afetaram a produtividade das lavouras. Os produtores desca-pitalizaram-se e isto, é claro, refletiu-se na Cocamar. Em 2006, a cooperativa desativa a sua operação no segmento seda e se desfaz da destilaria de álcool. Tal medida não apenas capitaliza a organização como permite-lhe ajustar o foco em atividades nas quais encontra-se envolvida a maior parte dos cooperados. 

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